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Decidir nos pênaltis, com sofrimento, tensão e vitória no fim. Foi com esse roteiro que o Palmeiras ergueu a taça da Copa do Brasil pela terceira vez. No contexto, dois argentinos do elenco tiveram papel importante nesta conquista: o meia Allione e o atacante Cristaldo.

Os jogadores foram escolhidos pelo técnico Marcelo Oliveira nas decisões por pênaltis contra Fluminense e Santos. E não decepcionaram, pois marcaram três dos oito gols feitos pelo Palmeiras nas penalidades máximas. Allione deu a vitória na semifinal diante do time carioca, Já Cristaldo converteu as cobranças nas duas oportunidades.

“Nós argentinos gostamos de jogo assim. Gostamos de jogo de definição, que possa marcar e ficar na história. O professor sabia disso e por isso acreditou em nós”, disse Cristaldo em entrevista ao UOL Esporte.

O fato contrasta com as poucas oportunidades que ambos tiveram nos times de Oswaldo de Oliveira e Marcelo Oliveira. Cristaldo, por exemplo, entrou em campo 43 vezes, em um total de 1.994 minutos — média de 46 minutos por jogo. Quando entrou em campo, porém, o atacante cumpriu bem seu papel. Com 12 gols na temporada, ele só fica atrás de Dudu e Rafael Marques.

Allione, por sua vez, teve ainda menos chances. Foram 25 jogos — ou 1.202 minutos (média parecida com a de Cristaldo: 48 minutos). O meia foi às rede apenas uma vez: justamente na estreia da Copa do Brasil, no triunfo por 4 a 1 sobre o Vitória da Conquista. Cristaldo marcou três gols na competição.

“A gente treina para estar preparado sempre. Foi opção do treinador. Ele achou que eu era o cara que tinha de bater. Fico feliz por ter dado a classificação ao time. Fica marcado na carreira a Copa que a gente conseguiu. Eu marquei, mas o trabalho da equipe foi importante”, frisou Allione.

Para Cristaldo, a força do grupo foi importante para o Palmeiras ser campeão. “Os jogadores, por mais que não estiverem jogando e sem muita oportunidade, a hora que o professor dá a chance tem de dar conta do recado”, afirmou o atacante.

Mudança e torcida por Prass

O Palmeiras conseguiu eliminar o Fluminense depois de uma vitória por 2 a 1 no tempo normal. Nos pênaltis, a equipe fez 4 a 1, com gols de Rafael Marques, Jackson, Cristaldo e Allione. Na final, a equipe derrotou o Santos por 4 a 3 nos pênaltis. Zé Roberto, Jackson, Cristaldo e Fernando Prass converteram as cobranças.

Cristaldo admite que mudou o jeito de bater na decisão contra o rival paulista. O atacante sempre chuta do lado esquerdo do goleiro, como fez, por exemplo, quando venceu o goleiro Diego Cavalieri na semifinal.

“Não senti a pressão, mas no último momento mudei. Eu sempre chuto do lado esquerdo. Estava observando o goleiro, ele defendeu o chute do Rafael Marques nesse canto. Então eu pensei: ‘decido na hora de chegar a bola. Se ele mover um pouquinho, vou trocar’. E mudei na hora”, explicou.

Os dois argentinos ainda mostraram total confiança em Fernando Prass. Para Allione, o goleiro chutou a última bola com o coração e repetiu exatamente aquilo que faz nos treinamentos.

“Eu sabia que ele ia fazer. Ele estava tranquilo e treina também. Ele tem uma batida forte. Se o goleiro acertasse o canto, vai entrar com bola e tudo. Ele bateu com o coração e deu certo”, disse.

Cristaldo ainda exalta o desfecho, que não poderia ser melhor para ele. “A gente acredita muito nele. Sabe como ele bate. Bate forte e era uma coisa que ele precisava. Fez muito pelo Palmeiras, pegou dois pênaltis então não tem melhor coisa do que comemorar um título com um gol dele”, finalizou.