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Os problemas do Palmeiras

Por Lucas Lopes

O técnico Marcelo Oliveira está sendo apontado como pivô da má fase da equipe do Palmeiras dentro de campo. Muitos torcedores acusam a falta de padrão de jogo do time para o mal desempenho nas últimas partida – desde o final da temporada do ano passado, quando a equipe caiu muito de rendimento.

Fato é que Oliveira tem sua parcela de culpa. Mas como é sabido nas mesas de bares, técnico não entra em campo. É preciso analisar o conjunto como um todo para entender por que o time não se acerta em campo e tampouco acerta o gol dos adversários.

Para efeito de comparação, é válido analisar como era o time quando Marcelo Oliveira viveu sua melhor fase no comando do alviverde. O técnico chegou ao time na 8ª rodada do 1º turno do Campeonato Brasileiro e estreou perdendo para o Grêmio por 1 a 0, fora de casa. Após esta partida, engrenou uma sequência de sete jogos sem derrota: seis vitórias e um empate; um aproveitamento de 90%.

Nessa sequência de sete jogos que fizeram o torcedor palmeirense, na época, sonhar alto na competição nacional, o Palmeiras marcou 18 gols e sofreu apenas três. Entre as vitórias, vale destacar a goleada em cima do São Paulo por 4 a 0, o clássico contra o Santos, vencido por 1 a 0, e a boa atuação diante do Vasco, duelo vencido por 4 a 1, em São Januário.

A questão que fica é: o que o time tinha naqueles jogos que não conseguiu repetir o bom futebol na fase final do Brasileirão e nem agora no começo do Paulista 2016, cenário em que a equipe mais se fortaleceu com reforços do que perdeu jogadores?

Escalação

Nas sete partidas de invencibilidade, Marcelo Oliveira repetiu o mesmo time nas vitórias contra São Paulo, Chapecoense e Ponte Preta. Contra o Avaí, apenas uma mudança. O time que entrou em campo entre a 9ª e a 12ª rodada do Campeonato Brasileiro foi: Prass, Lucas, V.Hugo, V.Ramos, Egídio, Gabriel, Arouca, Robinho, Rafael Marques, Dudu e Leandro Pereira. Contra o Leão da Ilha, Zé Roberto ocupou a vaga de Robinho no meio-campo.

Contra o Sport, único empate na série invicta, o time estava diferente. Em comparação à escalação do clássico contra o São Paulo eram quatro mudanças; três na zaga: Prass, Lucas, Jackson, Leandro Almeida, João Paulo, Gabriel, Arouca, Zé Roberto, Rafael Marques, Dudu e Leandro Pereira.

Contra Santos e Vasco, a base que estava rendendo bons frutos foi mantida. Jackson e Leandro Almeida alternaram a dupla de zaga ao lado de Victor Ramos para substituir o lesionado Vitor Hugo. Vale ressaltar que em todos esses jogos, Cristaldo e Gabriel Jesus entravam com frequência no decorrer das partidas.

Nesta temporada, nos últimos oito jogos, Marcelo Oliveira escalou oito times diferentes, como destacou o jornal Lance!. Foram duas vitórias, cinco empates e uma derrota. Aproveitamento de apenas 45%.

 Volantes

Todo torcedor palmeirense concorda que a lesão que tirou Gabriel dos gramados na 16ª rodada do Campeonato Brasileiro teve um impacto tremendo no desempenho do Palmeiras no resto da temporada. O primeiro volante fazia uma dupla precisa e segura com Arouca no meio-campo alviverde. Coincidência ou não, após ser substituído no primeiro tempo, o Palmeiras perdeu para o Atlético Paranaense na 16ª rodada, e viu sua sequência invicta ir por água abaixo.

Para efeito de comparação, ao analisar o desempenho do Palmeiras nos sete jogos seguintes sem Gabriel dá pra constatar uma diferença gritante nos resultados: cinco derrotas e duas vitórias, incluindo o empate por 3 a 3 no clássico contra o Corinthians. Foram 14 gols contra e 13 pró nestes duelos.

Na época, Marcelo Oliveira não tinha um substituto com as características do primeiro volante palmeirense. Amaral ficou com a difícil missão de substituir Gabriel na equipe titular em cinco desses sete jogos. Fez gol contra no dérbi. Andrei Girotto e Robinho, improvisado no lugar do Arouca, recuando o camisa 5 para a cabeça da área, jogaram uma partida cada.

Thiago Santos saiu do América Mineiro e assumiu a função de Gabriel. O Palmeiras teve um desempenho melhor nos cinco jogos seguidos após a estreia e manutenção do volante no time titular. Foram três vitórias, uma derrota e um empate. Quando saiu do time, suspenso pelo terceiro amarelo, contra a Chapecoense, o alviverde paulista foi goleado por 5 a 1.

Hoje Marcelo Oliveira tem o setor recheado de boas opções. Thiago Santos, Jean, Arouca, Matheus Salles e Rodrigo. Sem contar com o próprio Gabriel, que está em fase final de recuperação e Moisés – este lesionado – e Robinho, que podem jogar improvisados de segundo volante. Mas Marcelo parece que desistiu de jogar com um volante de marcação e um que saia com qualidade para o jogo, tanto é que nas últimas duas rodadas optou por escalar o time sem meia-armador e com três jogadores da posição.

Centroavante

Marcelo Oliveira já deixou claro que gosta de jogar com um homem de referência. Lucas Barrios, uma das grandes estrelas do time, teve papel importante no título da Copa do Brasil. Além da conquista da taça, fez bons jogos no Campeonato Brasileiro, e sabe fazer bem essa função. Porém, quem realmente se destacou fazendo esse papel foi Leandro Pereira.

Na sequência de sete jogos invictos no primeiro turno do Brasileirão o atacante marcou seis dos 18 gols, ou seja, foi responsável por um terço dos tentos anotados pelo alviverde paulista nesse período. Com a chegada de Lucas Barrios e de Alecsandro, Leandro Pereira perdeu espaço no time e foi negociado para o Brugge, da Bélgica, por R$ 14 milhões.

Juntos no Campeonato Brasileiro do ano passado, desde que figuraram pela primeira vez com a camisa do Palmeiras naquela temporada, Alecsandro e Barrios fizeram sete gols na competição. Cinco do paraguaio e dois do brasileiro. Cristaldo, que foge do padrão de homem de área, para fazer o pivô, teve mais êxito sempre que jogou: marcou seis gols no Brasileirão.

No time da atual temporada, Barrios permanecia como titular até se lesionar. Alecsandro vai assumindo a posição nos 11 iniciais aos poucos, enquanto Cristaldo é preterido pelo técnico alviverde. Rafael Marques, que poderia fazer a função, prefere jogar de ponta.

Rendimento individual

Os 11 jogadores titulares fazem parte de uma engrenagem que faz o time jogar. Quando estão em sintonia, a máquina funciona bem. Porém, quando algumas peças começam a falhar, o conjunto todo é prejudicado. É o que acontece no Palmeiras. Jogadores que se destacaram no ano passado apresentam queda de rendimento individual. Alguns há bastante tempo, outros a menos.

Egídio, Rafael Marques, Lucas, Arouca e Gabriel Jesus não estão conseguindo repetir os bons momentos de 2015 nesta atual temporada – Egídio desde o segundo turno do Brasileirão de 2015. Os dois primeiros são reservas; os dois últimos foram para o banco na última partida; e Lucas só não amarga um banco pela falta de uma reposição de maior confiança que o bom, porém inconstante e inseguro, João Pedro.

Dudu, Prass e Vitor Hugo são os únicos do pilar de 2015 que vêm mantendo um bom rendimento individual e com lampejos de genialidade – os dois primeiros muito mais do que o zagueiro. Robinho, peça importante do time, vem oscilando bons e maus jogos também desde o final da temporada passada e Zé Roberto, sobrecarregado na lateral-esquerda, pouco se destaca.

Na sequência dos sete jogos de invencibilidade, Egídio deu quatro assistências e fez um gol. Rafael Marques fez dois gols e deu duas assistências. Robinho serviu para gol quatro vezes. Lucas marcou uma vez e Arouca deu um passe para gol. Dudu anotou três tentos e serviu uma vez.

 

Link do Gráfico no Infogram:

https://infogr.am/gols_e_assistencias_palmeiras